Empresas apostam na inteligência artificial para reduzir custos e enfrentam desafio de medir resultados
A inteligência artificial já escreve relatórios, responde clientes e organiza informações em poucos segundos. O que parecia uma transformação distante passou a fazer parte da rotina de escritórios e departamentos administrativos. Mas a velocidade das ferramentas trouxe uma pergunta menos tecnológica e mais financeira: quanto dinheiro as empresas realmente conseguem economizar com a IA?
O debate marca uma mudança de comportamento no mundo corporativo. Depois de uma fase de experimentação, em que adotar inteligência artificial era visto como sinal de modernização, cresce a cobrança por resultados concretos. Não basta apresentar uma ferramenta capaz de executar tarefas automaticamente. É preciso descobrir se ela reduz despesas, melhora o atendimento ou libera profissionais para atividades mais complexas.
A questão esteve presente nas discussões do Universo TOTVS 26, evento voltado à inovação empresarial. Entre os assuntos abordados estavam os agentes de inteligência artificial, programas capazes de realizar diferentes etapas de uma atividade com certo grau de autonomia, e a integração dessas tecnologias aos sistemas de gestão.
A dimensão desse desafio aparece em uma pesquisa da TOTVS com a H2R Insights & Trends. O levantamento Panorama IA nas Empresas Brasileiras, divulgado em 2025, identificou que apenas 7% das empresas pesquisadas calculavam o retorno financeiro de suas iniciativas de inteligência artificial. O dado ajuda a explicar por que a discussão sobre custos ganhou espaço em 2026: muitas organizações já experimentam a tecnologia, mas ainda encontram dificuldades para avaliar seu impacto econômico.
O cenário, porém, não é apenas de incerteza. Um estudo realizado pela Strand Partners para a Amazon Web Services (AWS), divulgado em setembro de 2026, mostrou que 72% das empresas brasileiras pesquisadas relataram ganhos de produtividade com IA e 66% afirmaram ter obtido retornos superiores ao investimento inicial. Apesar disso, somente 33% demonstraram confiança na capacidade de medir esses resultados com precisão.
A transformação também chega às pequenas e médias empresas. Segundo pesquisa da Serasa Experian divulgada em 2026, 58,7% das PMEs que utilizam ou demonstram interesse em IA apontam a produtividade como principal benefício da tecnologia. A redução de custos aparece entre as vantagens mencionadas por 34,2% dos participantes.
Uma das mudanças mais interessantes está na forma de contratar essas soluções. Em agosto, a TOTVS anunciou planos de oferecer agentes de IA integrados aos seus sistemas, com um modelo de cobrança pela execução de tarefas. A proposta aproxima a contratação de inteligência artificial de um serviço com entregas específicas, em vez de depender exclusivamente de licenças tradicionais de software.
Para o consumidor, essa transformação pode aparecer em situações comuns, como um atendimento mais rápido, uma solicitação resolvida sem transferência entre departamentos ou um serviço disponível fora do horário comercial. O risco está no caminho inverso: automatizar tanto uma operação que o cliente encontre dificuldades para falar com uma pessoa quando precisar resolver um problema mais complexo.
Dennis Herszkowicz, CEO da TOTVS, relacionou a adoção da inteligência artificial à capacidade de produzir mais com os mesmos recursos ou manter os resultados utilizando menos recursos. Durante as discussões do Universo TOTVS 26, o executivo resumiu essa relação:
"A inteligência artificial, no final das contas, ela é uma grande automação. E toda automação exige que você tenha ou mais output com o mesmo input, ou que você tenha, no mínimo, o mesmo output com menos input", afirmou Dennis.
O executivo também chamou atenção para a importância de acompanhar os custos associados à utilização da tecnologia. Sem indicadores claros, uma empresa pode ampliar o uso de ferramentas inteligentes sem conseguir determinar se o investimento está contribuindo para seu desempenho.
"Se você não conseguir fazer essa medição desse uso da inteligência, vai ser muito difícil que você consiga ter a implementação dessa inteligência artificial dentro da estratégia da companhia", destacou Herszkowicz.
O assunto deve continuar em destaque nesta quarta-feira (14), segundo dia do Universo TOTVS 2026, realizado no Expo Center Norte, em São Paulo. A programação reúne debates sobre inovação, gestão empresarial e aplicações de inteligência artificial em diferentes setores.
O entusiasmo com a IA continua, mas a conversa mudou. Nos escritórios, a pergunta já não é apenas o que a tecnologia consegue fazer, e sim quanto custa cada tarefa que ela executa — e se o resultado compensa.

Comentários
Postar um comentário
Abrir formulário de comentários