Deezer vai permitir bloquear músicas criadas por inteligência artificial nas buscas
A Deezer anunciou uma novidade para quem prefere ouvir músicas produzidas por artistas humanos. Até o fim de 2026, a plataforma pretende disponibilizar um filtro capaz de ocultar faixas, álbuns e artistas associados a músicas inteiramente geradas por inteligência artificial (IA) dos resultados de pesquisa.
O recurso funcionará como um botão de ativação e desativação. Quem não quiser encontrar produções sintéticas poderá ligar o filtro, enquanto usuários interessados nesse tipo de música continuarão podendo acessá-las. A novidade terá lançamento global, mas ainda não recebeu uma data específica de estreia.
A mudança chega em meio a uma transformação acelerada no mercado musical. Ferramentas como Suno e Udio já permitem criar canções completas a partir de comandos de texto, com vocais, instrumentos e arranjos. Esse avanço ampliou as possibilidades de experimentação, mas também trouxe uma quantidade inédita de gravações para os catálogos digitais.
Os números ajudam a dimensionar o fenômeno. Segundo dados divulgados pela Deezer em outubro de 2026, a plataforma recebe quase 90 mil músicas totalmente geradas por IA diariamente. Nos dias de maior movimento, essas produções representam mais da metade das novas faixas entregues ao serviço. Isso não significa, porém, que dominem a audiência: elas correspondem a apenas 1% a 3% das reproduções.
O comportamento do público brasileiro acrescenta uma curiosidade à discussão. Em pesquisa realizada com a Ipsos em novembro de 2025, 76% dos entrevistados no Brasil demonstraram disposição para ouvir músicas criadas por IA ao menos uma vez por curiosidade. Ao mesmo tempo, 45% dos usuários brasileiros de streaming disseram que gostariam de ter a opção de filtrar completamente esse conteúdo.
O levantamento, realizado com 9 mil pessoas em oito países, também revelou a dificuldade de reconhecer uma produção artificial apenas pelo som. Em um teste cego, 97% dos participantes não conseguiram distinguir corretamente as músicas geradas por IA das gravações humanas.
A Deezer já vinha preparando seu catálogo para esse cenário. Desde 2025, utiliza uma tecnologia própria para identificar músicas sintéticas e impedir sua inclusão em recomendações automáticas e playlists editoriais. Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, mais de 42 milhões de faixas foram excluídas desses espaços, enquanto mais de 14 milhões de álbuns receberam identificação relacionada à IA.
A discussão também envolve dinheiro. A empresa informou que até 85% das reproduções de músicas inteiramente artificiais registradas em 2025 apresentaram características fraudulentas. Quando identifica manipulação, a plataforma desconsidera essas reproduções no cálculo de royalties, buscando evitar que atividades automatizadas interfiram na remuneração dos artistas.
O movimento não está restrito à Deezer. Em 2026, serviços como Spotify e Apple Music também avançaram em iniciativas de identificação de conteúdo produzido com inteligência artificial. A diferença está na abordagem: enquanto parte do mercado aposta em etiquetas informativas, a Deezer pretende oferecer ao próprio ouvinte a possibilidade de retirar essas músicas de suas buscas.
O filtro terá uma distinção importante: seu foco será a música criada integralmente por sistemas generativos. Produções humanas que utilizam IA apenas como apoio em determinadas etapas não serão necessariamente tratadas da mesma maneira.
Por enquanto, os assinantes não precisam alterar nenhuma configuração. A Deezer ainda não informou onde o botão ficará disponível no aplicativo ou na versão para computadores. A implementação está prevista para os próximos meses, antes do encerramento de 2026.

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